Uma mãe, um filho e os espetáculos que os levam pelo mundo

Há algum tempo acompanhamos uma mãe e um filho que têm um jeito muito particular de viajar juntos. Ele tem 17 anos. Os dois gostam muito de música, teatro, espetáculos. Têm gostos bastante parecidos, o que certamente ajuda. Mas não são iguais. E é justamente aí que existe uma parte muito bonita dessa história.

Há os espetáculos que os dois querem muito assistir. Um artista de quem gostam, uma estreia que estavam esperando, alguma coisa que acontece em outra cidade e acaba sendo motivo suficiente para começar a pensar numa viagem. Há também aqueles que um quer muito ver e o outro nem tanto. Ainda assim, eles vão juntos. Às vezes é ela acompanhando uma escolha dele. Em outras, é ele que topa alguma coisa que provavelmente não escolheria sozinho.

Gosto muito disso. Porque existe uma diferença entre ter gostos em comum e construir companheirismo. O primeiro simplesmente acontece. O segundo precisa ser cultivado. E eles cultivam.

Ao longo do tempo, os espetáculos acabaram criando uma espécie de fio entre os dois. Uma programação leva a uma cidade, que leva a uma viagem, que depois vira uma lembrança dos dois. Quando aparece o próximo, começa tudo outra vez.

Acho especialmente bonito porque ele tem 17 anos. Uma idade em que os filhos começam a ter o próprio mundo, os próprios interesses, amigos, programas e uma vida que naturalmente vai ficando cada vez mais deles. Por isso gosto tanto quando uma família encontra alguma coisa que continua dando vontade de estar junto. Não precisa ser um grande ritual, nem uma paixão compartilhada em absolutamente tudo. Para eles, são os espetáculos.

E sem dúvida são os nossos clientes que mais esmiúçam a cena cultural de Nova York. É impressionante. Broadway é só uma parte. Eles acompanham o que está acontecendo, sabem o que querem assistir, descobrem espetáculos, artistas, temporadas. Nova York volta muitas vezes para a história dos dois justamente porque sempre aparece um novo motivo para voltar.

Mas não é só Nova York. O espetáculo é quase um fio que vai costurando cidades e memórias entre eles. Para outra família, esse fio pode ser o ski, futebol, gastronomia, natureza, arte. Pode ser voltar todos os anos para o mesmo lugar ou descobrir um diferente a cada vez.

Algumas famílias criam seus próprios motivos para viajar.

E esses motivos dizem muito mais sobre uma viagem do que qualquer lista de lugares que alguém deveria conhecer.

Quando eles chegam até nós com um novo espetáculo, não estamos procurando simplesmente tickets, a melhor forma e formato de estadia ou a melhor maneira de chegar até lá. Primeiro existe aquilo que os levou até aquela cidade. A partir disso, pensamos nos dias que estarão por lá, no lugar onde faz sentido ficar, no que pode acontecer antes ou depois do espetáculo e até se aquela viagem comporta alguma outra coisa, sem a obrigação de preencher todos os espaços.

É um trabalho de entender o que já existe entre os dois e fazer boas escolhas ao redor disso. A história já vinha acontecendo quando chegou até nós.

Daqui a alguns anos, eles podem não se lembrar de todos os lugares onde se hospedaram ou de tudo o que fizeram em cada cidade. Mas certamente algumas músicas, artistas e espetáculos vão trazer de volta uma viagem inteira: onde estavam, o que foram assistir, o que fizeram naquele dia e as histórias que ficaram. Nova York estará em muitas delas. Outras cidades também.

Aos poucos, todas essas viagens vão formando um repertório muito particular dos dois, feito dos espetáculos que amaram igualmente, daqueles em que um fez companhia ao outro e, principalmente, do tempo que escolheram passar juntos.

E na sua família, o que vocês escolheram cultivar que ainda pode levá-los pelo mundo?

Hellen Pareto
BCA

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