Essa semana, entre os pedidos que passaram por aqui, estava uma viagem para a Disney.
Eu adoro a Disney. Já fui algumas vezes com a minha família e, quando penso em estar lá, pessoalmente prefiro ficar em hotel. Gosto de alguns em especial, da localização, da facilidade e da experiência de estar mais perto de tudo durante aqueles dias.
Então foi por aí que começamos.
E, enquanto preparava o material dessa família, fiquei pensando que esse pedido diz bastante sobre a maneira como trabalhamos na BCA.
A BCA não parte do destino. Parte da família. E a curadoria vem depois.
Temos uma curadoria de casas. Temos hotéis, destinos, parceiros e propriedades que conhecemos, gostamos e escolhemos ter por perto. Existe muito repertório construído ao longo do tempo e existe, sobretudo, critério naquilo que recomendamos.
Mas a curadoria não pode virar uma gaiola.
Se a família que está diante de nós pede alguma coisa que faz sentido para ela, nosso trabalho não é convencê-la a caber na coleção. É justamente o contrário: usar aquilo que conhecemos, nosso repertório e nosso olhar para encontrar a melhor resposta para aquela família. E, nesse caso, a resposta sequer é uma casa.
É Disney. São hotéis. É entender a idade dos filhos, o ritmo daqueles dias, quanto querem fazer, como querem fazer e quais escolhas realmente vão melhorar a experiência deles.
Curadoria, para nós, nunca significou escolher pelo outro.
Existe, claro, um olhar. Existem lugares que conhecemos, casas que nos encantam, hotéis aos quais voltaríamos, parceiros em quem confiamos e escolhas que provavelmente não faríamos.
Mas todo esse repertório só começa a ter valor quando encontra uma família. Porque aquilo que é extraordinário para uma pode simplesmente não fazer sentido para outra.
Talvez por isso eu pense cada vez menos em curadoria como uma coleção de lugares e cada vez mais como a capacidade de fazer boas escolhas para pessoas diferentes.
As casas foram o começo da BCA e continuam sendo uma parte muito importante do nosso olhar. Mas nunca foram um fim em si mesmas.
Às vezes, a resposta é uma casa extraordinária. Às vezes, é um hotel que conhecemos e gostamos. Às vezes, é um lugar que ainda não estava no nosso radar. E às vezes é justamente perceber que aquilo que escolheríamos para nós não é o que escolheríamos para aquela família.
No Travel Book que preparei para eles, escrevi uma frase que acabou ficando comigo:
“O importante é encontrar a maneira de vocês.”
Essa, afinal, é a melhor definição para a curadoria que queremos fazer. Não escolher os lugares mais extraordinários. Mas entender para quem eles precisam ser extraordinários.
Hellen Pareto
BCA