Uma Casa, Três Gerações e o Legado de Memórias
Muito antes de Deauville se transformar no famoso destino da costa normanda, Trouville já era o refúgio escolhido por intelectuais e aristocratas parisienses. Foi durante essa época dourada, no final do século XIX, que dois irmãos decidiram construir suas casas próximas ao mar. Enquanto um deles projetava uma residência familiar funcional e espaçosa, o outro se entregava a sonhos grandiosos, imaginando uma mansão neogótica imponente, marcada por tijolos vermelhos e enxaimel, com um salão de baile digno das festas mais memoráveis da época. Assim nasceu a Villa Monet, uma casa repleta de personalidade e mistério à beira-mar.

Décadas mais tarde, já nos anos 60, a Villa Monet encontrou um novo protagonista: Louis Pauwels, avô de Eléonore de La Grandière. Figura marcante no jornalismo francês, Louis foi um visionário, fundador de revistas icônicas como Planète e Figaro Magazine, e autor do best-seller Le Matin des Magiciens. Foi o sucesso deste livro que lhe permitiu adquirir a Villa Monet, transformando-a em seu refúgio criativo. A casa foi moldada por seu gosto pessoal, com uma decoração sólida e imponente, onde madeiras nobres e referências flamengas dominavam o ambiente.


A jovem Eléonore passava todos os verões na Villa com seu avô. Cada canto da casa trazia uma memória, uma história. Quando sua mãe, Marie-Claire Pauwels, também uma grande figura do jornalismo, herdou a Villa Monet, ela deu à casa um toque mais leve, com papéis de parede florais e móveis ingleses, mantendo, porém, o respeito pela história que as paredes carregavam. E assim, a Villa Monet se tornou um lar para diferentes gerações.

Hoje, é a vez de Eléonore e seu irmão cuidarem do legado. “Como se cuida de uma casa com tamanha história? Com muito carinho e respeito,” diz Eléonore, sorrindo. Cada parte da Villa Monet faz parte da sua essência. Ela cresceu ali, rodeada de livros e histórias, memórias que se misturam com a arquitetura imponente e a brisa do mar. Embora tenha vivido lá por mais de um ano e meio após herdá-la em 2011, Eléonore nunca realmente deixou a casa. Ela estava lá quando deu à luz seu filho, e continua a preservá-la, sem grandes mudanças.

O encanto da Villa Monet está nos detalhes, como o escritório do avô com vista para o mar e o aroma do tabaco com mel, ou a famosa “Entrada do Urso”, onde uma coleção de estátuas esculpidas em madeira ganha vida. Embora Eléonore e seu irmão não desejem transformá-la, as reformas são inevitáveis. Telhado, cozinha, e até o sótão estão nos planos, sem perder a alma do lugar.
A Villa Monet, com seus sete quartos e espaço para treze pessoas, em breve poderá receber até 20 hóspedes. E, em cada reunião familiar, seja na Páscoa ou no tradicional 14 de julho, pais, filhos e netos preenchem a casa com risos e conversas ao redor de uma refeição compartilhada, sempre admirando o pôr do sol à beira-mar.

Acima de tudo, a Villa Monet é uma história viva de herança familiar. Eléonore espera que um dia a casa e suas memórias possam ser transmitidas para a próxima geração, perpetuando os rituais e a magia que tornaram essa villa muito mais do que uma propriedade – mas um símbolo de laços profundos e histórias compartilhadas.
Dicas de Eléonore em Trouville:
- L’antiquaire Ambroise Alliou: para quem busca móveis e antiguidades do século XX.
- Charlotte Corday: imperdível pelas delícias caseiras que agradam tanto jovens quanto adultos.
- L’épicerie Toqués du Terroir: para quem aprecia os melhores produtos locais e deseja desfrutar de um almoço no terraço.
- La Librairie L’Usage du Papier: uma livraria encantadora com uma excelente coleção de histórias em quadrinhos.
