Uma casa que recusa a imagem esperada da Toscana.
Casa Lucca causa um pequeno deslocamento antes mesmo de entrarmos nela. Estamos na Toscana, mas a imagem diante de nós não é aquela que aprendemos a reconhecer imediatamente como toscana. Não há uma antiga casa rural cuidadosamente restaurada, uma villa aristocrática cercada por jardins formais ou interiores construídos a partir de uma ideia nostálgica do campo italiano.
Há pedra, mas ela não aparece como ornamento. Há paisagem, mas a arquitetura não procura desaparecer diante dela. Há tradição construtiva, mas o projeto não tenta reproduzir o passado.
A casa ocupa uma posição radical na encosta, suspensa sobre o vale e praticamente incorporada à formação rochosa. Seu exterior mineral estabelece uma continuidade com o terreno, enquanto grandes planos de vidro interrompem a massa construída e abrem os interiores para a paisagem. É uma arquitetura de peso e transparência ao mesmo tempo: de um lado, a rocha, a espessura e a sensação de abrigo; do outro, vidro, horizonte e uma vista que parece começar imediatamente depois das paredes.
Essa tensão continua dentro da casa.
As superfícies de pedra bruta permanecem visíveis e convivem com uma linguagem muito mais gráfica. Preto e branco estruturam parte importante dos ambientes, enquanto cores intensas aparecem pontualmente no mobiliário, nas obras e nos objetos. Linhas precisas encontram paredes irregulares. Superfícies lisas são colocadas diante da matéria mineral. Peças de desenho contemporâneo convivem com a textura de uma arquitetura que parece emergir da própria montanha.
O resultado não procura neutralidade.
Casa Lucca tem presença, personalidade e uma certa excentricidade intelectual. É uma casa que assume escolhas e que dificilmente produzirá indiferença. Para nós, essa é justamente uma das razões para estar na curadoria.
Arquitetura como posição
Há casas contemporâneas em que o projeto procura desaparecer diante da paisagem. Casa Lucca faz algo mais complexo: ela pertence ao terreno sem se tornar invisível.
Sua implantação na encosta estabelece uma relação quase geológica com o lugar. A arquitetura parece trabalhar a partir da massa existente, utilizando a pedra não como citação de uma Toscana antiga, mas como matéria. Em contraste, vidro, mobiliário contemporâneo, superfícies polidas e uma composição interior muito controlada deixam claro que não existe qualquer tentativa de simular uma construção histórica.
Essa distinção é importante.
Quando uma arquitetura contemporânea é implantada em um território com uma identidade visual tão poderosa quanto a Toscana, existem pelo menos duas possibilidades. Pode-se reproduzir seus códigos mais reconhecíveis, procurando continuidade por semelhança, ou estabelecer continuidade por meio de algo mais profundo: escala, matéria, topografia, luz e relação com a paisagem.
Casa Lucca pertence claramente ao segundo caminho.
Ela não precisa parecer antiga para estabelecer uma relação com o lugar. A conexão acontece pela pedra, pela encosta e pela maneira como os volumes respondem ao terreno. A contemporaneidade aparece justamente na liberdade com que esses elementos são reinterpretados.
Até a piscina participa dessa lógica. São aproximadamente 25 metros de comprimento projetados em direção ao vale. Mais do que uma estrutura de lazer, ela funciona como uma linha horizontal diante de uma paisagem marcada por relevo, floresta e pequenos núcleos urbanos. A borda desaparece visualmente e prolonga o olhar para muito além da propriedade.
É uma intervenção de arquitetura que não pede licença à paisagem, mas também não procura dominá-la. O diálogo acontece pelo contraste.
O lugar onde ela pertence
Lucca e uma Toscana de muitas camadas
Associamos frequentemente a Toscana a uma linguagem relativamente homogênea: casas de pedra, telhados de terracota, ciprestes, olivais e villas históricas. Essa imagem existe, mas é insuficiente para compreender Lucca.
A cidade tem uma história urbana particularmente singular. Seu centro preserva o traçado medieval e uma concentração extraordinária de igrejas e edifícios históricos, mas algumas de suas formas mais reconhecíveis nasceram justamente da capacidade de transformar estruturas anteriores. A atual Piazza dell’Anfiteatro, por exemplo, mantém na forma urbana o desenho do antigo anfiteatro romano. A cidade medieval cresceu sobre e ao redor de camadas anteriores.
As muralhas que circundam Lucca contam outra história. Construídas entre os séculos XVI e XVII como uma poderosa estrutura defensiva, formam um circuito de mais de quatro quilômetros que nunca precisou cumprir plenamente a função militar para a qual foi concebido. Com o tempo, aquilo que havia sido engenharia de defesa foi transformado em passeio arborizado e parque urbano elevado.
Essa capacidade de fazer uma estrutura adquirir outro significado ao longo do tempo é particularmente interessante em Lucca.
Fora das muralhas, a linguagem muda novamente. A planície e as colinas ao redor são marcadas por igrejas românicas, propriedades agrícolas, vinhedos, olivais e uma importante tradição de villas monumentais. Entre os séculos XVI e XIX, famílias ligadas à aristocracia e à burguesia mercantil de Lucca construíram residências no campo em que arquitetura, jardins, botânica e vida social passaram a ser pensadas conjuntamente.
A paisagem de Lucca é, portanto, menos uniforme do que parece. Cidade murada, arquitetura religiosa, propriedades rurais, villas aristocráticas, jardins, campos e intervenções posteriores convivem em poucos quilômetros.
Casa Lucca acrescenta uma camada contemporânea a essa leitura.
Não porque reproduza qualquer uma dessas arquiteturas, mas justamente porque demonstra que uma casa pode pertencer à região sem imitar seu repertório histórico.
Pedra sem nostalgia
Talvez esse seja o aspecto mais sofisticado do projeto.
A pedra é um dos materiais mais carregados de significado na arquitetura rural italiana. Quando utilizada hoje, é fácil transformá-la em um recurso cenográfico: basta aplicá-la sobre uma construção contemporânea para produzir imediatamente uma sensação de tradição.
Casa Lucca evita essa solução.
Aqui, a matéria aparece com peso, irregularidade e presença. Em determinados interiores, a parede rochosa quase disputa protagonismo com o mobiliário. Em outros, torna-se fundo para uma composição deliberadamente contemporânea.
Essa convivência produz uma experiência visual muito diferente daquela das propriedades toscanas em que interiores neutros procuram preservar uma continuidade tranquila com a arquitetura histórica.
Casa Lucca trabalha com fricção.
Bruto e polido. Escuro e claro. Mineral e artificial. Irregular e geométrico. Massa e transparência.
O design de interiores não procura suavizar essas diferenças; utiliza justamente a tensão entre elas para construir identidade. A cor aparece de maneira precisa porque existe uma base gráfica capaz de sustentá-la. O mobiliário não está ali apenas para preencher os ambientes, mas participa da composição arquitetônica. E a paisagem, vista através de grandes aberturas, funciona quase como outro material do projeto.
É uma casa de campo italiana sem rusticidade performática.
O valor de uma casa que não procura agradar a todos
Existe uma ideia de luxo muito associada à neutralidade. Casas suficientemente bonitas, suficientemente elegantes e suficientemente discretas para agradar ao maior número possível de pessoas.
Casa Lucca pertence a outra categoria.
Seu valor está justamente na autoria percebida, mesmo quando não precisamos conhecer o nome de quem desenhou cada elemento para reconhecer que houve uma posição estética. Os interiores não foram concebidos para desaparecer. A arquitetura não tenta ser universal. A relação com a rocha, a escala das aberturas, o preto e branco, a cor e o desenho dos ambientes criam uma identidade específica.
Isso naturalmente restringe o público da casa.
E, para a BCA, isso não é um problema.
Curadoria não significa procurar a propriedade que mais famílias aprovariam. Significa compreender suficientemente bem uma casa para reconhecer a família que perceberá valor justamente naquilo que outra talvez considere excessivo.
Na Casa Lucca, essa diferença é particularmente clara.
Para quais famílias recomendamos
Recomendamos Casa Lucca para famílias que tenham uma relação genuína com arquitetura, design, interiores e arte, ou que simplesmente se sintam mais estimuladas por espaços com personalidade do que por ambientes neutros.
Ela pode funcionar especialmente bem para pais com filhos adolescentes ou adultos, grupos de amigos próximos ou duas famílias viajando juntas. A propriedade recebe até 12 hóspedes em seis quartos, distribuídos entre a casa principal e uma dependência, o que permite criar alguma independência entre diferentes núcleos.
Não seria nossa primeira escolha para uma família que chega à Toscana procurando deliberadamente a experiência de uma antiga casa rural, uma villa histórica ou interiores clássicos. Para essa família, temos outros endereços que respondem melhor ao imaginário desejado.
Casa Lucca é para quem aceita que uma viagem à Itália também possa incluir aquilo que a Itália continua produzindo agora.
Essa é uma distinção importante. Um país com uma das maiores heranças arquitetônicas e artísticas do mundo não deixou de produzir arquitetura quando terminou o Renascimento. Design, mobiliário, indústria, arte e arquitetura contemporânea fazem parte da cultura italiana tanto quanto aquilo que preservamos em seus centros históricos.
Escolher uma casa como essa é também reconhecer essa continuidade.
O que é importante saber
Entre Lucca e a costa
A posição da Casa Lucca acrescenta outra dimensão interessante à estadia. A propriedade está fora da cidade e suspensa sobre o vale, mas o centro de Lucca fica a aproximadamente 15 minutos de carro. Restaurantes, comércio e campos de golfe estão também a cerca de 15 minutos.
Isso permite alternar uma arquitetura absolutamente contemporânea com uma das cidades históricas mais preservadas da Toscana.
Lucca merece tempo. É possível caminhar sobre suas muralhas, entrar no tecido medieval da cidade, observar a forma incomum da Piazza dell’Anfiteatro, visitar San Martino, San Michele e San Frediano e perceber como diferentes períodos históricos foram se acumulando sem apagar completamente os anteriores.
Em outro dia, a direção pode ser oposta. A província se aproxima da costa e permite alcançar Viareggio e Forte dei Marmi, trazendo o mar para uma viagem que poderia, à primeira vista, parecer inteiramente dedicada ao interior da Toscana.
Essa geografia amplia bastante a leitura da propriedade. Casa Lucca não precisa ser a base de uma maratona de cidades toscanas. Sua força está em permitir que a família construa dias muito diferentes a partir do mesmo endereço: arquitetura e silêncio em casa, história em Lucca, villas e jardins nas colinas ou litoral quando a viagem pede outra paisagem.
Localização
Casa Lucca está na província de Lucca, Toscana, em posição elevada e isolada sobre o vale.
Contexto
Distâncias
O acesso à propriedade inclui um trecho não pavimentado. Pelo caráter da implantação e da estrada de chegada, recomendamos que o veículo seja escolhido considerando também esse acesso.
Condições da estadia
Check-in a partir das 17h e check-out até as 10h.
Condições de pagamento, caução, estadia mínima, alterações e cancelamentos variam conforme as datas e serão apresentadas no momento da reserva.
17:00
10:00
Bloqueamos as datas mediante sinal e assinatura do contrato. Em reservas feitas com antecedência, trabalhamos com depósito inicial e saldo em data definida; em reservas próximas ao check-in, pode ser necessário pagamento integral no ato.
Cada casa segue a moeda definida pelo proprietário ou pela gestão local (EUR, CHF, GBP, USD, entre outras). Isso garante transparência em tarifas, impostos e contratos internacionais.
Sim. Aceitamos pagamento em Reais, com conversão pelo câmbio do dia aplicado pelo nosso parceiro financeiro. Podem incidir encargos bancários ou IOF, dependendo do meio de pagamento escolhido.
Transferência bancária internacional, transferência em reais (TED/PIX) e, em alguns casos, cartão de crédito (com eventual taxa administrativa).
Sim. O valor do caução varia conforme a casa e é pré-autorizado no cartão ou pago por transferência antes do check-in. Na ausência de danos ou consumos extras, a devolução acontece geralmente em até 7 dias corridos, podendo se estender até 15 dias em casos de vistoria.
Danos, itens faltantes, chaves/cartões não devolvidos, limpeza extraordinária, consumo adicional (como aquecimento de piscina quando não incluso) ou violações de regras da casa.
As condições variam conforme a casa e a temporada. Como padrão, até 60 dias antes do check-in buscamos remarcação ou crédito; dentro desse prazo, os valores geralmente não são reembolsáveis. Sempre que possível, tentamos reposição de datas (se a casa for revendida, abatemos valores líquidos de taxas).
Alterações dependem da disponibilidade e podem implicar diferenças tarifárias e taxa administrativa. Em alta temporada, as condições costumam ser mais restritivas.
O padrão é check-in a partir das 16h e check-out até 10h. Early check-in e late check-out podem ser solicitados, sujeitos a disponibilidade e eventuais taxas.
Em geral, roupas de cama e banho, limpeza de entrada e saída, e suporte local. Serviços adicionais — limpeza diária, chef, compras, motorista, babysitting, aquecimento de piscina ou spa — podem ser contratados à parte com antecedência.
Alguns destinos podem cobrar taxa turística, tarifa ambiental ou custos de utilidades. Todas as condições são informadas no orçamento e no contrato.
A ocupação máxima é a indicada no contrato e não pode ser excedida. Eventos, sessões de fotos ou filmagens exigem aprovação prévia e podem ter caução e taxas adicionais.
Sim. Muitas casas disponibilizam berços, cadeirinhas e grades de segurança mediante solicitação antecipada.
Algumas casas aceitam pets mediante aprovação prévia, podendo haver taxa extra e caução adicional.
Não é permitido fumar dentro das casas. Áreas externas podem ter regras próprias.
Algumas propriedades, especialmente em montanhas, têm escadas e desníveis.
Informe necessidades de mobilidade antes da reserva.
Operação de pistas e teleféricos é independente do contrato de hospedagem. Recomendamos seguro-viagem com cobertura para imprevistos, atrasos e esportes de inverno.
Sim. Você terá sempre um ponto de contato — concierge ou gestor local — para emergências, dúvidas e serviços. Além disso, nosso escritório em São Paulo acompanha cada estadia, oferecendo suporte direto e imediato, a qualquer momento, pelo mesmo valor.
Sim. Algumas casas são geridas diretamente com seus proprietários; outras, em parceria com agências internacionais reconhecidas. Na Europa, contamos com escritórios parceiros em Paris, Barcelona, Florença e Lisboa, que dão suporte a todas as estadias no continente.
– Curadoria criteriosa: cada casa é escolhida pela sua alma, história e qualidade.
– Transparência: valores claros, contratos alinhados e moeda de origem informada.
– Suporte contínuo: nosso escritório em São Paulo acompanha cada detalhe da sua estadia, antes, durante e depois da viagem.
– Rede internacional: escritórios parceiros em Paris, Barcelona, Florença e Lisboa garantem cobertura local em toda a Europa.
– Experiência internacional com proximidade local: acordos feitos com proprietários e parceiros de confiança, mas com atendimento sempre centralizado pela BCA.
– Mesmo valor do proprietário ou agência: você paga o mesmo, mas tem nosso cuidado, suporte em português e acompanhamento 24h.
Planeje a sua estadia
As tarifas variam de acordo com o período, a composição da família e as condições da estadia. Consulte a BCA para disponibilidade e design de viagem.
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